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E depois da varicela?

Há tempos já abordei aqui aqueles que me parecem ser os cuidados essenciais a ter com os miúdos, em caso de varicela. E depois da varicela?

cremesFoto de Jan Jelinek, via freeimages.com

Muitas crianças (e também adultos) passam pela varicela sem (quase) darem conta e assim como apareceu, desaparece sem deixar marcas…
Mas a realidade da maioria de nós não é esta. Seja por ter pele sensível, atópica ou tendência para fazer cicatrizes quelóides, as marcas da varicela vêm e ficam de forma permanente. Após a secagem das lesões, após a crosta cair, fica uma “cratera” mais ou menos profunda, mais ou menos avermelhada, mais ou menos inestética e visível.

Não há nenhum produto cosmético que retire completamente uma cicatriz (sim o que fica é uma cicatriz, tal como nas estrias, ou nas feridas/cortes). O que há são produtos que modelam as cicatrizes para que estas se tornem menos evidentes e mais dissimuladas.

Existem duas ou três grandes marcas que costumo recomendar: Mederma® e Dermatix® (ou Kelo-Cote®). O primeiro é o que recomendo para a varicela e para o uso mais generalizado como estrias e etc. As outras duas marcas são de gel de silicone que normalmente aconselho em situações de cirurgias complicadas ou queimaduras profundas, pois o efeito de repor o nível da pele mais elevado quando há substancial perda de tecido é mais evidente.

Mas voltemos então à varicela… A lesão secou, a crosta caiu e ficámos com uma marca feia! Recomendo que até à total cicatrização da lesão continuem a insistir com o Cicabio creme, pois ainda há um potencial de infecção e a própria costa causa comichão que é melhor aliviada pelo Cicabio. Após a total cicatrização recomendo o uso do Mederma aplicado duas vezes ao dia.

É importante ter noção que todo e qualquer tratamento de cicatrizes é feito a médio/longo prazo, falamos de no mínimo de três meses de tratamento diário, com maior probabilidade de se estender até aos seis meses de tratamento (em estrias antigas, poderemos prolongar até ao ano.)
O Mederma pode ser aplicado à noite com oclusão, ou seja, colocando um adesivo “plástico” por cima (peçam na farmácia um adesivo especifico para oclusão, tendo o cuidado de referir se se trata de uma pessoa/criança com tendência alérgica ou não).

Cada caso é um caso, mas por norma nas lesões da varicela não se torna necessário fazer oclusão. O próprio gel do Mederma, ao secar, forma uma película que lhe permite actuar em maior profundidade. O Mederma foi desenvolvido a partir das propriedades de plantas como a Aloé Vera e do Alho e, a nível de formulação, parece-me muito bem conseguido (eu dispensaria o perfume (inútil) e o metilparabeno (à falta de melhor…)).

Dito isto, falta ainda referir que, como em todas as cicatrizes, é importante proteger do sol! Nunca usar factor de protecção inferior a 50, mas isto também já é um conselho uniformizado em todas as crianças!
Manter a pele hidratada e saudável ajuda à mais rápida recuperação e renovação celular.

Mais uma vez refiro que não há dois casos iguais, nem soluções milagrosas! Se precisarem de mais algum esclarecimento, ou ajuda, enviem-me por e-mail ou em comentário. Tentarei responder de forma ágil.

Nota:
As sugestões que faço, de marcas comerciais, são do meu conhecimento e experiência enquanto farmacêutica e mãe. Existem sempre diversas alternativas equivalentes em termos de composição e função. Se tiverem alguma dúvida relativa a outras alternativas, coloquem em comentários que eu respondo dentro dos meus conhecimentos.

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Alguns mitos relacionados com as fraldas

fraldas

Foto via freeimages.com

Em caso de assadura não se pode usar toalhetes na muda da fralda e é bom lavar sempre com água

Quando há uma assadura, ou uma vermelhidão, eritema, infecção fúngica ou bacteriana, na zona da fralda há sempre quem recomende que se lave a pele com água a todas as mudas de fralda. Como todas as recomendações generalistas, esta é mais uma que pode dar em asneira. Pensem lá: como ficaria a vossa pele de tomassem 6 a 8 banhos por dia? A água por muito inofensiva que pareça pode levar a secura excessiva da pele. Isto numa pele saudável já obriga a medidas de hidratação extra, numa pele já lesionada pode potenciar o aparecimento de outros problemas associados à perda de integridade da barreira da pele que, por secura excessiva, perde a camada de gordura (sebo/primeira barreira), perde a camada de células mortas (córnea/segunda barreira), ficando dessa forma mais exposta a vírus/fungos/bactérias, etc… Portanto, e em qualquer afecção da zona da fralda, o mais importante é minimizar o contacto da pele com fezes e urina, seja usando fraldas mais absorventes (chamadas “rabinho seco”) ou seja aumentando a frequência de troca (idealmente imediatamente a seguir a cada uso da mesma). É igualmente importante garantir uma adequada  higienização, removendo todos os detritos, e, por fim, fornecer à pele as condições ideais para uma rápida regeneração.

As fraldas descartáveis causam alergias
Em teoria toda e qualquer substância pode causar alergia numa pele suscetível. E aqui podemos incluir o metal das molas das reutilizáveis, o detergente impregnado no algodão das mesmas, os elásticos (quer das descartáveis, quer das reutilizáveis), etc.

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Fraldas e fraldinhas

O universo das fraldas é algo incontornável para qualquer recém-família. A começar pela quantidade, passando pelos tipos, modelos, impacto ambiental e económico, algo tão simples quanto uma fralda, pode tirar horas de sono e descanso aos futuros pais e ter impacto real na saúde e bem estar do bebé.

Vamos então por partes…

fraldaFoto via freeimages.com

Quantidade:
Um recém-nascido pode sujar entre 8 e 12 fraldas por dia.
Mais para a frente diminui ligeiramente mas nunca baixa mais do que 5 por dia até por volta dos 2/3 anos.

Tipos e Modelos:
Existem fraldas descartáveis (usar e deitar fora) e reutilizáveis (usar, lavar e voltar a usar).
Nas descartáveis existem as de absorção rápida, as de grande capacidade para períodos mais longos (ex: noite), as de absorção à base de fibras (menos eficazes a manter rabinhos secos),  as à base de polímeros (isolam melhor a humidade), as  biodegradáveis, as específicas para usar em água (ex: piscina, mar), as fraldas de adesivos e as de cueca (que ajudam na transição para largar as fraldas).
Nas reutilizáveis existem as ajustáveis de tamanho único (acompanham o crescimento da criança), as tradicionais em vários tamanhos, as de bolso (têm absorventes que se inserem num bolso interno), as integradas em fatos de banho para uso em água (ex: piscina, mar), etc…

Impacto Ambiental e Económico:
Obviamente, as descartáveis não biodegradáveis aumentam em muito a nossa pegada ecológica. A practicidade paga-se com impacto ambiental. A meio caminho existem as descartáveis  biodegradáveis que apesar de não serem 100% degradáveis sempre aliviam a nossa consciência ecológica. A pegada fica menor com as reutilizáveis, claro. No entanto não nos podemos esquecer das lavagens necessárias, a poluição de água com detergentes, os consumos de eletricidade, etc… certo?
Economicamente falando, toda e qualquer opção tem grande impacto no orçamento familiar. As reutilizáveis obrigam a um maior investimento inicial que é rentabilizado mais tarde (e principalmente quando se volta a ser pai), as descartáveis obrigam a um gasto regular e mais ou menos constante ao longo de 2 a 3 anos.

E quantos mitos relacionados com as fraldas, conhecem? Próximo artigo!

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Dicas para superar a prova da varicela

Nada causa mais ansiedade a uma mãe (ou pai) do que ver o seu filhote doente e sentir-se verdadeiramente impotente face ao decurso da situação. Recorremos ao médico mas voltamos, muitas vezes, com a sensação de que não esclarecemos tudo, não tiramos todas as dúvidas, nem sabemos o que melhor podemos fazer para ajudar o nosso mais que tudo a sentir-se melhor.

Nesse sentido, vou tentar ir reunindo alguns cuidados de saúde complementares à medicação sobre as mais variadas afecções de saúde recorrentes na infância.

Varicela: